Reflexão sobre o Salmo 90: Ensina-nos a Contar os Nossos Dias
Se você tivesse apenas um dia de vida, como o viveria? O Salmo 90, uma oração atribuída a Moisés, nos confronta com a realidade de nossa mortalidade, não para nos causar medo, mas para nos levar à sabedoria. A mensagem do Salmo 90 é uma profunda meditação sobre o contraste entre o Deus eterno e a vida humana frágil, culminando em uma oração para que Deus nos dê propósito em nossos poucos dias.
O Refúgio Eterno: De Geração em Geração
O salmo começa com uma declaração de segurança: "Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração". Antes que o mundo existisse, "de eternidade a eternidade, tu és Deus". Em contraste com este Deus eterno, a humanidade é como pó. "Mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou e como a vigília da noite".
Nossa vida é descrita com imagens de transitoriedade: somos como uma correnteza, como um sono, como a relva que de manhã floresce e à tarde murcha. A brevidade da vida é o primeiro grande tema do salmo.
A Brevidade da Vida sob a Ira de Deus
Por que nossa vida é tão curta e cheia de dificuldades? Moisés não atribui isso ao acaso, mas à santidade de Deus. "Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, somos aniquilados. Diante de ti puseste as nossas iniquidades; os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto".
O significado do Salmo 90 é que ele conecta nossa mortalidade ao problema do pecado. Nossa vida de "setenta anos ou, na sua robustez, oitenta anos" é marcada por "cansaço e enfado", porque vivemos em um mundo caído, sob as consequências do pecado. Quem conhece o poder da ira de Deus? A pergunta fica no ar, nos chamando a uma santa reverência.
Uma Oração por Sabedoria e Favor
Diante da realidade da eternidade de Deus e da nossa fragilidade, qual deveria ser nossa resposta? O desespero? Não. A resposta é uma oração por sabedoria. O versículo 12 é o coração do salmo: "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios".
"Contar os dias" não é sobre saber a data da nossa morte. É sobre viver com a consciência de que nossos dias são limitados. É essa consciência que nos impede de desperdiçar nosso tempo com trivialidades e nos leva a buscar um "coração sábio" — um coração que vive para o que é eterno.
A partir desse pedido de sabedoria, o salmista faz uma série de súplicas pelo favor de Deus:
- Por alegria: "Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias".
- Por restauração: "Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal".
- Por propósito: "Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória, sobre seus filhos".
- Por significado: "E seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, a obra das nossas mãos, confirma-a".
Esta última petição é o anseio de todo coração humano: que nosso trabalho, nossa vida breve, tenha um significado duradouro. E isso só é possível quando a graça de Deus está sobre nós e Ele mesmo estabelece o que fazemos.
O Salmo 90 é um convite à sobriedade e à sabedoria. Ele nos chama a parar de viver como se fôssemos infinitos e a começar a viver com a eternidade em vista. Que possamos orar hoje: "Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias". E que, ao fazê-lo, encontremos um coração sábio, uma alegria duradoura e um propósito eterno na obra que Ele nos chamou para fazer.