Reflexão sobre o Salmo 73: A Crise de Fé e a Perspectiva da Eternidade
Já olhou para o mundo e se perguntou se vale a pena ser justo? Já sentiu uma pontada de inveja ao ver a aparente facilidade e prosperidade dos ímpios? Se sim, o Salmo 73 é para você. Este salmo de Asafe é uma das confissões mais honestas da Bíblia sobre a crise de fé, e nos mostra o único caminho para sair dela: mudar nossa perspectiva do temporal para o eterno.
"Quase Resvalaram os Meus Pés": A Luta contra a Inveja
O salmista começa com a conclusão, a verdade que ele quase perdeu: "Verdadeiramente, bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração". Mas ele admite que chegou perto de abandonar essa verdade. "Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios".
Ele descreve o que via: os ímpios não tinham dores, eram saudáveis, livres de problemas, orgulhosos e violentos. Eles zombavam de Deus e, ainda assim, suas riquezas aumentavam. Vendo isso, o salmista começou a questionar sua própria vida de retidão: "Na verdade, que em vão tenho purificado o meu coração e lavado as minhas mãos na inocência". Ele sentia que sua fidelidade não estava sendo recompensada.
"Até que Entrei no Santuário de Deus"
Essa visão era "trabalhosa demais" para ele, uma tortura para sua mente. Ele não conseguia entender. E então, vem o ponto de virada de todo o salmo: "Até que entrei no santuário de Deus; então, entendi eu o fim deles".
A solução para sua crise de fé não foi uma resposta intelectual, mas uma experiência de presença. No santuário, no lugar da adoração, ele mudou sua perspectiva. Ele parou de olhar para a vida dos ímpios e começou a olhar para o "fim" deles. Ele percebeu que, na verdade, Deus os tinha colocado em "lugares escorregadios" e que seu destino era a "súbita desolação". A prosperidade deles era como um sonho do qual acordamos: parecia real por um momento, mas não tem substância.
Com essa nova perspectiva, ele se arrepende de sua própria amargura e ignorância, admitindo que foi "como um animal" perante Deus. E percebe uma verdade ainda mais profunda: mesmo em sua dúvida e inveja, Deus nunca o largou. "Todavia, estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela mão direita".
"A Quem Tenho Eu no Céu senão a Ti?"
A crise de fé, resolvida pela perspectiva da eternidade, leva o salmista à mais gloriosa declaração de amor e devoção. Ele para de olhar para o que os ímpios têm e percebe o que ele tem. "A quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje mais do que a ti".
Esta é a conclusão final. A presença de Deus é o bem supremo. Ter a Deus é melhor do que ter tudo o que o mundo oferece. A saúde, a riqueza e a facilidade dos ímpios não são nada em comparação com a posse do próprio Deus. Por isso, ele pode dizer: "Desfalecendo a minha carne e o meu coração, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha porção para sempre".
A mensagem do Salmo 73 é um guia para todos nós. Quando a inveja bater e a dúvida surgir, não tente resolver o problema com a lógica deste mundo. Corra para o "santuário", para a presença de Deus. Deixe que a perspectiva da eternidade ajuste seu foco. E então, você descobrirá, como Asafe, que não há nada no céu ou na terra mais desejável do que o próprio Deus. Ele é a sua força e a sua herança para sempre.