Reflexão sobre o Salmo 53: A Insensatez Universal e a Salvação de Deus
Algumas lições são tão importantes que precisam ser repetidas. O Salmo 53 é uma dessas lições, sendo uma versão quase idêntica do Salmo 14. Ele serve como um eco divino, um lembrete enfático sobre a condição do coração humano sem Deus e a única fonte de esperança para a humanidade. A mensagem do Salmo 53 é um diagnóstico sombrio da nossa natureza, mas que nos aponta para a gloriosa luz da salvação de Deus.
O Coração que Nega a Deus
O salmo começa com a mesma declaração chocante: "Disse o néscio (o tolo) no seu coração: Não há Deus". Como no Salmo 14, "tolo" aqui não se refere à capacidade intelectual, mas à deficiência moral. É a pessoa que, independentemente de sua inteligência, escolhe viver como se Deus não existisse ou não fosse relevante para suas decisões diárias.
A consequência dessa negação prática de Deus é a decadência moral e espiritual. "Têm-se corrompido e têm cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem". Quando o padrão de Deus é removido, a humanidade, por si só, tende à corrupção.
O Veredito Divino sobre a Humanidade
A cena se repete: Deus olha dos céus para os filhos dos homens, procurando por alguém sábio, alguém que O busque. E, novamente, o veredito é o mesmo. "Todos se extraviaram e juntamente se fizeram abomináveis; não há ninguém que faça o bem, nem um sequer".
A repetição desta verdade no Saltério sublinha sua importância fundamental. É a base para o Evangelho. Se pudéssemos ser bons por conta própria, não precisaríamos de um Salvador. O significado do Salmo 53, assim como o do 14, é nos mostrar nossa total incapacidade e nossa necessidade desesperada da graça de Deus.
No entanto, esta versão do salmo contém uma variação interessante. Ele descreve o pavor que cairá sobre os inimigos do povo de Deus: "Ali, se acharam em grande pavor, onde não havia pavor, pois Deus espalhou os ossos daquele que te cercava; tu os confundiste, porque Deus os rejeitou". Isso mostra que, embora a humanidade em geral esteja desviada, Deus age de forma decisiva para proteger Seu povo e confundir aqueles que se opõem a eles.
O Anseio pela Restauração
Diante do diagnóstico da corrupção do homem e da promessa da intervenção de Deus, o salmo termina com o mesmo anseio profundo: "Oh! Se de Sião já viesse a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os cativos do seu povo, então, se regozijará Jacó e se alegrará Israel".
Este é o clamor por uma redenção que só pode vir de Deus. É a esperança de que Deus mesmo trará Seu povo de volta do "cativeiro" — não apenas um cativeiro físico, mas o cativeiro do pecado e da opressão. A resposta para a corrupção universal não é o esforço humano, mas a salvação que vem "de Sião", do lugar da presença de Deus.
O Salmo 53 nos força a encarar uma verdade desconfortável sobre nós mesmos, para que possamos abraçar a verdade libertadora sobre Deus. Ele nos mostra que nossa única esperança não está em nossa própria bondade, mas na salvação que Deus providencia. Para nós, hoje, esse clamor tem um nome: Jesus Cristo, a salvação de Deus que veio de Sião para nos libertar do cativeiro e nos encher de uma alegria eterna.