Reflexão sobre o Salmo 78: Aprendendo com as Lições da História
A história tem lições valiosas a nos ensinar, se estivermos dispostos a ouvir. O Salmo 78 é uma dessas lições, uma longa e detalhada aula de história musicada. O salmista Asafe reconta a jornada de Israel, desde o Egito até o reinado de Davi, com um propósito claro: ensinar a próxima geração a não cometer os mesmos erros de seus antepassados. A mensagem do Salmo 78 é um estudo de caso sobre a fidelidade paciente de Deus em contraste com a teimosia e o esquecimento do coração humano.
Uma História para não ser Esquecida
O salmo começa com um chamado à atenção: "Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca". O objetivo é transmitir a história para que a "geração vindoura" conheça as obras de Deus. E para quê? "Para que pusessem em Deus a sua esperança, e não se esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos".
A meta é evitar que se tornem como seus pais, uma "geração contumaz e rebelde, geração que não preparou o seu coração, e cujo espírito não foi fiel para com Deus". A história não é contada apenas por curiosidade, mas para transformação.
O Ciclo da Rebelião e da Graça no Deserto
O salmista narra o ciclo que se repetiu várias vezes no deserto. Deus realiza milagres incríveis — as pragas no Egito, a abertura do Mar Vermelho, a nuvem e o fogo para guiar, a água que brota da rocha, o maná e as codornizes do céu. No entanto, o povo responde com esquecimento e rebelião.
- Eles "esqueceram as suas obras e as maravilhas que lhes mostrara".
- Eles "tentaram a Deus nos seus corações, pedindo comida para o seu apetite".
- Eles "falaram contra Deus", duvidando de Seu poder.
O significado do Salmo 78 se aprofunda ao mostrar a reação de Deus. Ele se ira e envia juízo. Mas mesmo em meio ao juízo, Sua compaixão prevalece. "Ele, porém, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade e não os destruiu; antes, muitas vezes desviou deles a sua fúria... Porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta". Deus, em Sua graça, lembra-se da fragilidade humana, mesmo quando os humanos se esquecem da grandeza divina.
A Escolha Soberana de Judá e de Davi
Após a entrada na terra prometida, o ciclo de idolatria continua. O povo provoca a ira de Deus com seus altos e imagens de escultura. Como consequência, Deus "rejeitou o tabernáculo de José e não elegeu a tribo de Efraim", permitindo que a arca da aliança, que estava em Siló (no território de Efraim), fosse capturada.
Mas a rejeição não é a palavra final. A história culmina na escolha soberana de Deus. Ele escolhe "a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava". E, para pastorear Seu povo, Ele escolhe "Davi, seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas... para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança".
O salmo termina com uma nota positiva sobre o reinado de Davi, que os apascentou "segundo a integridade do seu coração e os guiou pela perícia de suas mãos".
O Salmo 78 é um espelho para nós. Ele nos alerta sobre a nossa tendência natural de esquecer as bênçãos de Deus e de endurecer o coração. Mas, acima de tudo, ele nos mostra um Deus incrivelmente paciente e fiel, que, apesar de nossas falhas, continua a nos perdoar e a nos guiar segundo Seu plano soberano. Que possamos aprender com as lições da história, para que sejamos uma geração que se lembra, confia e obedece.