Reflexão sobre o Salmo 65: O Deus da Criação e da Redenção
O Salmo 65 é um hino de tirar o fôlego que celebra a bondade de Deus em todas as esferas: na redenção, na criação e na provisão. É uma jornada de louvor que começa no lugar sagrado do templo, se expande para abranger todo o cosmos e, finalmente, se deleita nos campos férteis e na colheita abundante. A mensagem do Salmo 65 nos convida a adorar o Deus que perdoa nossos pecados e coroa o ano com a Sua bondade.
O Silêncio que se Torna Louvor
O salmo começa com uma imagem poética e profunda: "A ti, ó Deus, espera o louvor em Sião, e a ti se pagará o voto". O louvor está "esperando" em Sião, como uma quietude reverente, pronta para explodir em cântico. E por que Deus é digno desse louvor?
Primeiro, porque Ele é o Deus que ouve a oração. "Ó tu que ouves as orações, a ti virá toda a carne". Ele é acessível. Segundo, porque Ele perdoa. "Prevalecem contra mim as nossas transgressões, mas tu no-las perdoas". O salmista reconhece sua condição de pecador, mas confia no poder perdoador de Deus. A maior bem-aventurança é ser escolhido por Deus para "habitar nos teus átrios", para desfrutar de Sua presença.
O Poder que Firma os Montes
Do templo, o salmo amplia sua visão para o mundo inteiro. O Deus que perdoa pecados é também o Deus que "por sua força firma os montes". Ele é a "esperança de todas as extremidades da terra e do mar longínquo". Seu poder acalma "o ruído dos mares, o ruído das suas ondas e o tumulto das nações".
O significado do Salmo 65 é que o mesmo Deus que nos traz paz interior através do perdão é Aquele que tem o poder de acalmar o caos do universo e o tumulto da história humana. Seu poder é tão evidente na criação que todos os que habitam nos confins da terra "temem os teus sinais; tu fazes com que o nascer da manhã e o pôr do sol se regozijem".
A Terra Coroada de Bondade
A parte final do salmo é uma das mais belas descrições da provisão de Deus na natureza. É como se o salmista pintasse um quadro de um Deus jardineiro, cuidando amorosamente de Sua criação para garantir a abundância da colheita.
- "Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces grandemente..."
- "Preparas-lhes o trigo, quando assim a tens preparada."
- "Enches de água os seus sulcos... com chuvas a amoleces e abençoas as suas novidades."
A conclusão dessa obra de provisão é magnífica: "Coroas o ano da tua bondade, e as tuas veredas gotejam gordura". A bondade de Deus é a coroa do ano, e por onde Ele passa, a abundância (gordura) flui. A natureza inteira responde a esse cuidado com alegria: os desertos, os outeiros, os campos e os vales "se vestem de rebanhos... se cobrem de trigo; regozijam-se e cantam".
O Salmo 65 nos lembra de que o Deus a quem adoramos não está distante. Ele é o Deus que perdoa nossos pecados, nos aproxima Dele, sustenta o universo com Seu poder e, com a mesma mão, rega a terra para nos dar o pão de cada dia. Que possamos abrir nossos olhos para ver Sua bondade em toda parte — na cruz, nas estrelas e na mesa do jantar — e nos juntar a toda a criação no cântico de louvor.